DEFORMIDADES FLEXURAIS

Definição

       As deformidades flexoras dos membros são alterações osteomusculares caracterizadas pela inabilidade em estender completamente uma ou mais articulações. Diferentes estruturas anatômicas podem estar envolvidas, incluindo os tendões flexores, o aparelho suspensor, a cápsula articular, a fáscia da região, ossos e pele. Geralmente, a hiperflexão em uma ou mais regiões articulares, resulta da diferença do comprimento das unidades musculotendíneas em relação aos ossos da região acometida, devida ao crescimento desuniforme entre estas estruturas. As deformidades flexurais envolvem mais comumente o carpo, o boleto e a articulação interfalangeana distal.

Etiologia

         As alterações podem possuir etiologia congênita ou adquirida. Vários fatores podem estar relacionados com as deformidades flexurais de origem congênita, a exemplo do mau posicionamento uterino, agentes infecciosos durante a prenhez, ingestão de toxinas com efeitos teratogênicos pela égua, ingestão de plantas do gênero Astragalus, além de fatores genéticos que ainda não foram determinados. Já na forma adquirida, os fatores envolvidos estão relacionados com nutrição desapropriada, traumas e doenças infecciosas, como a exemplo da poliartrite. 

Sinais clínicos

        A apresentação do paciente é variável, de acordo com a estrutura anatômica envolvida, e, por esta razão, as deformidades serão descritas separadamente a seguir.

Deformidade interfalangeana

 

- Grau I: Ocorre discreta elevação do talão com tensão aumentada no tendão flexor digital profundo. A muralha do casco tende à perpendicularização em relação ao eixo podofalangeano-solo. O ângulo metacarpo-falangeano permanece inalterado.

 

       O animal que apresentar deformidade em região interfalangeana, envolvendo o tendão flexor digital profundo, poderão exibir apoio do membro unicamente na região das pinças dos cascos, a partir do aumento do ângulo formado entre a parede dorsal do casco e o solo.

 

      Segundo Thomassian (1996), estas deformidades podem ser classificadas da seguinte maneira:

- Grau II: A muralha do casco adquire completa perpendicularidade em relação ao eixo podofalangeano-solo, com crescimento anormal dos talões e tendência ao encastelamento. Ocorre desgaste excessivo da pinça.

- Grau III: Observa-se evidente projeção cranial da muralha podendo até, nos casos mais graves, ocorrer o apoio da coroa e da quartela no solo. Nesta situação haverá crescimento exagerado do casco que não sofre desgaste, e em alguns casos, poderão ser observados ferimentos.

Deformidade Metacarpofalangeana

        Inicialmente, as deformidades flexurais metacarpo-falangenas podem ser originadas por um encurtamento das estruturas musculotendíneas do flexor digital superficial. Em casos mais graves pode ocorrer o acometimento do ligamento suspensor do boleto.

 

De acordo com Thomassian (1996), as deformidades metacarpo-falangeanas podem ser classificadas em:

- Grau I: Ocorre apenas ligeiro desvio cranial da articulação metacarpo-falangeana com discreto aumento de seu ângulo anterior.

- Grau II: Ocorre perpendicularização do eixo metacarpo-falangeano.

- Grau III: Observa-se evidente projeção cranial da articulação metacarpo-falangeana. Nestas condições poderá ocorrer tensão do tendão extensor digital lateral que fica proeminente na face crânio-lateral do metacarpo. Em alguns casos pode ocorrer o apoio da face dorsal da quartela e boleto no solo levando a lesão cutânea e por consequência exposição das estruturas que compõem a articulação, podendo causar artrite séptica.

Animal afetado por deformidade metacarpofalangeana em todos os membros. Os membros posteriores apresentam deformidade grau 1, o MTD com deformidade grau 2, e MTE com deformidade grau 3  

Deformidade de carpo

         As deformidades envolvendo o carpo variam desde leves até severas.  O que difere entre as graduações é a severidade de flexão articular. Deformidades graves certamente abrangem mais que a unidade musculotendínea: a cápsula articular e os ligamentos intercarpianos podem ser os responsáveis pela alteração.

Diagnóstico

      Os sinais clínicos apresentados pelo animal facilitam o diagnóstico em muitos casos. A região acometida deve ser palpada e manipulada com o animal sustentando o peso, e com o membro em flexão. Em muitos casos, a única anormalidade encontrada é a diminuição de mobilidade da articulação acometida, ou da região articular. Deve-se ter atenção ao fazer a correção da deformidade manualmente. A resistência à extensão é um bom indicador para o prognóstico e poderá auxiliar na indicação do tratamento (CORRÊA, 2006).

 

       A avaliação radiográfica tem sido indicada para determinar a existência de alterações ósseas associadas. Quando há o retorno a posição correta da articulação com facilidade, o animal deve ser tratado com a fisioterapia adequada e o prognóstico é bom. Do contrário, é necessário a análise do grau de severidade da deformação para a decisão da terapêutica.

 

        No caso das deformidades adquiridas é recomendável a realização de ultrassonografia a fim de avaliar a causa de base e a possível existência de aderências entre estruturas tendíneas e ligamentares, o que piora consideravelmente o prognóstico.

Tratamento

      O método terapêutico aconselhado está relacionado com o uso da imobilização do membro, agregados ao casqueamento corretivo, administração de anti-inflamatórios não esteroidais e modificações na dieta.

      A persistência da enfermidade após tratamento clínico pode estar associada ao não reconhecimento da etiologia da afecção, e manutenção do estímulo doloroso no membro. Segundo Hunt (2003), casos onde a deformidade persiste após um ou dois meses de tratamento conservativo, pode-se recomendar a realização de procedimentos cirúrgicos.

 

     O fato de cada deformidade ser causada pela alteração em estruturas anatômicas específicas, faz com que o tratamento cirúrgico também seja individualizado dependendo da articulação acometida. O grau de deformidade também influencia a indicação cirúrgica. Por este motivo, novamente o tratamento é dividido por articulação.

Interfalangeana

      Nas deformidades de grau 1 é indicada a desmotomia do acessório do tendão flexor digital profundo. Já nas deformidades de grau 2 ou três é indicada a tenotomia do flexor digital profundo.

Metacarpofalangeana

      Nas deformidades de grau 1 é indicada a desmotomia do acessório do tendão flexor digital superficial. Já nas deformidades de grau 2 ou três é indicada a tenotomia do flexor digital superficial.

Carpo

      O tratamento para as deformidades flexurais cárpicas em potros é baseado na eliminação da causa primária, e se o problema for reconhecido precocemente, o tratamento conservativo geralmente é efetivo.

Prognóstico

      O prognóstico é variável de acordo com a gravidade das lesões e com a precocidade do tratamento. O tratamento clínico precoce aumenta as chances de resolução sem a necessidade de tratamento cirúrgico, ou ainda, reduzir a graduação antes do procedimento. Animais tratados com desmotomia tem bom prognóstico, enquanto animais submetidos a tenotomia dificilmente poderão ter utilização atlética.

 

Rua Potiguares, 265 - 2º Andar
Natalia (11) 99217-8701 | Murillo (11) 99349-7801
eqqualitycce@gmail.com
  • Cinza ícone do YouTube
  • Instagram Social Icon

© 2016 por Eqquality Clínica e Cirurgia de Equinos. Todos os direitos reservados. Orgulhosamente criado com Wix.com