MIOSITE

DEFINIÇÃO

         A miosite, ou também conhecida como rabdomiólise ou doença da segunda-feira, é uma enfermidade caracterizada por processo inflamatório que acomete o tecido muscular dos equinos - principalmente dos membros posteriores. É bastante comum em animais utilizados em condições extenuantes sem o devido condicionamento físico prévio.

ETIOLOGIA

       Pode resultar de trauma direto ou indireto sobre o músculo e ocorrer como processo secundário de algumas doenças. 
          A principal causa está relacionada com animais que foram sujeitos a exercício físico de alta intensidade ou duração sem devido preparo físico. Esta forma da doença se dá pelo esgotamento das reservas de glicogênio muscular levando ao aumento da atividade metabólica anaeróbia com produção de grande quantidade de ácido láctico. 
        Pode ocorrer também como sequela de processos cirúrgicos podendo ocorrer tanto por mal posicionamento do paciente durante o procedimento, resultando em compressão muscular, quanto por hipotensão arterial durante o procedimento. Nos dois casos ocorre redução na perfusão sanguínea nos grandes grupos musculares, e devido a hipóxia, lesão e necrose muscular.
          Existem ainda alguns tipos de miosite específicas de algumas raças (Quarto de milha e Puro sangue Inglês) relacionadas a deficiências no metabolismo do glicogênio de origem genética. 
            Mecanismos específicos de lesão pós operatória e de origem genética serão tratados em outros textos produzidos futuramente.

PATOGENIA

           O aspecto doloroso nos equinos acometidos com miosite, está relacionado com a fadiga muscular. A lesão oxidativa das membranas biológicas, secundária à necrose e produção de espécies reativas de oxigênio, levariam a lesão muscular e isquemia, resultando em mialgia (VALENTINE, 2012). Os processos inflamatórios na musculatura desses animais são decorrentes da isquemia, gerando uma remoção deficiente do ácido lático dos músculos resultando na queda do pH muscular. Em consequência desse excesso de ácido lático, ocorre o intumescimento das fibras musculares e a sua destruição, ocorrendo a liberação de grandes quantidades de mioglobina. Os rins filtram a mioglobina em excesso e a urina adquire uma coloração enegrecida. Nos casos mais graves, a liberação de mioglobina em excesso pela morte das fibras musculares, acarreta lesões nos rins no momento da filtração, levando ao quadro de nefrose tubular, podendo evoluir ao óbito por insuficiência renal. 

SINAIS CLÍNICOS

          Os sinais clínicos da miosite ocorrem logo após o término do exercício, São observados dor, rigidez, espasmos e tremores musculares hiperagudos, ataxia, evoluindo até o decúbito, adotando primeiro a paresia dos posteriores ou posição de cão sentado . O cavalo pode ter dificuldade em se movimentar espontaneamente, principalmente quando estão afetados os músculos psoas e os flexores da coluna tóraco-lombar. Uma intensa sudorese local pode ser constatada nos músculos da região lombar, nos glúteos e dos membros posteriores. Os sinais vitais apresentam alterações, ocorre um aumento da frequência cardíaca e respiratória, congestão das mucosas e aumento da temperatura corporal. A urina apresenta-se com coloração vermelha tendendo ao castanho, ocasionada pela grande quantidade de mioglobina. (SANTOS, 2009)

DIAGNÓSTICO

          O diagnóstico é realizado a partir da anamnese do animal  , onde geralmente é relatado episódio de exercício físico de alta intensidade ou longa duração, exame físico e  exames complementares – principalmente o bioquímico, afim de verificar os níveis das enzimas AST (Aspartato aminotransferase) e CK (Creatinofosfoquinase), que apresentam-se elevadas por conta das lesões na musculatura esquelética. Lança-se mão também da urinálise, para constatar a presença de mioglobina na urina.
      No diagnóstico histopatológico a partir de biópsia muscular, é observada necrose e degeneração hialina. Podem ser encontradas fibras musculares irregulares, edemaciadas, vacuolizadas, indicando degeneração ou atrofiadas e com múltiplos núcleos internos, indicando regeneração, algumas fibras necróticas podem estar mineralizadas. (QUIST et al. 2011) 

TRATAMENTO

         A terapêutica adotada para essa injúria está relacionada com a restauração do equilíbrio hidroeletrolítico do animal, afim de reduzir a probabilidade de lesões renais permanentes. Repouso e uso de compressas quentes e massagens nos músculos para aumentar a circulação local. Como terapia de suporte, faz-se uso de fluidoterapia, administrando por via endovenosa de 30 a 100 litros de fluido de reposição em casos leves. Em alguns casos também é recomendada a hidratação por via enteral, podendo ser utilizadas soluções eletrolíticas e glicose.
         Os medicamentos anti-inflamatórios não esteroides estão indicados, após hidratação prévia adequada. Sendo que os animais gravemente afetados e em decúbito podem necessitar de analgésicos mais potentes. Pode-se também utilizar miorrelaxantes pensando em diminuir a rigidez muscular e, portanto, a dor.

PREVENÇÃO

         A fim de evitar a miosite deve-se manter uma dieta composta por volumoso e evitando o excesso de concentrado, fornecer suplementação com vitamina E e Selênio. Além de tudo deve-se contar com o auxílio de um médico veterinário para fazer uma avaliação do animal antes de iniciar o treinamento ou exercício (CARNEIRO, 2006).
         É necessário o auxílio do veterinário especializado para avaliar o condicionamento físico dos animais antes de iniciar um treinamento e respeitar suas orientações a respeito das atividades físicas indicadas e do manejo realizado a determinado exercício. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARNEIRO, A. A. Mal da Segunda Feira. 2006. Disponível em: www.ufpel.edu.br/fvet/oncovet/PEaulas20081/PE06_segunda.pdf. Acesso em: 18/09/2018.
 

QUIST, E. M.; DOUGHERTY, J.J.; CHAFFIN, M.K.; PORTER, B.F. Diagnostic Exercise: Equine Rhabdomyolysis. Veterinary Pathology, v.48, n.6, 2011. 
 

VALENTINE, A. B., MCGAVIN, M.D..Músculo Esquelético. In: MACGAVIN, M. D. e ZACHARY, J.F. Bases da Patologia em Veterinária. St Louis: Elsevier, 2012. Cap.15, p.874-922.
 

SANTOS, D. E.; PAULA, F.C.; Rabdomiólise em Equinos. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária, São Paulo, Ano VII, Número 12, 2009. 

AUTORIA

Érica Dias Pereira Barboza - Graduanda em Medicina Veterinária - Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

Murillo Martinez Matheus - Mestrando em Cirurgia Veterinária - FMVZ - USP 

 

Rua Potiguares, 265 - 2º Andar
Natalia (11) 99217-8701 | Murillo (11) 99349-7801
eqqualitycce@gmail.com
  • Cinza ícone do YouTube
  • Instagram Social Icon

© 2016 por Eqquality Clínica e Cirurgia de Equinos. Todos os direitos reservados. Orgulhosamente criado com Wix.com