Podotrocleose ou Síndrome do Navicular

          A manutenção da integridade do sistema locomotor dos cavalos é de grande relevância, tendo em vista a relação direta do animal em diversas atividades, como transporte, tração e esportes. A lesões localizadas neste sistema são provenientes de erros no manejo do animal, traumas ou de origem congênita. Entre todas as enfermidades que pode acometer o sistema locomotor dos equinos, destaca-se a síndrome do navicular, também definida como podotrocleose, uma das causas mais comuns de claudicação nos membros dos equinos atletas.

 

         Anatomicamente, o osso sesamoide distal (navicular) está localizado em posição plantar ou palmar – em membros pélvicos e membros torácicos, respectivamente – à articulação interfalangeana distal. A face articular direciona-se proximal e distalmente, já a face flexora está dirigida distal e palmarmente (GETTY, 1986).

 

        A síndrome do navicular é assim denominada por possuir um conjunto de sinais clínicos frequentes e relacionados. Por ser uma enfermidade crônica e progressiva, a podotrocleose não afeta somente o osso sesamoide distal, como também os tecidos moles adjacentes, a exemplo do tendão flexor digital profundo e da bursa do navicular.

 

    A hereditariedade e o manejo são fatores predominantemente importantes para o desenvolvimento dessa enfermidade. Erros cometidos no casqueamento e ferrageamento dos equinos podem acarretar em pressão excessiva do tendão flexor digital profundo sobre osso navicular, levando a uma inflamação local. De acordo com Stashak (1994), má conformação óssea é um fator que contribui para o quadro.

Ao exame clínico, os animais afetados podem apresentar aumento da pulsação das artérias digitais palmares, apresentam claudicação de leve a moderada, uni ou bilateral. Observa-se encurtamento do passo com as pinças tocando no solo antes do restante do casco, acarretando tropeços frequentes.

 

       O procedimento de anestesias loco-regionais pode ser realizado através dos bloqueios perineurais e/ou intrasinovial e intrarticular, sendo indispensável conhecimento anatômico da região para a realização correta da técnica.

      Ao exame radiográfico é comum observar aumento dos forames vasculares, cistos acompanhados de forames, erosões na cortical e medular na face flexora do osso sesamoide distal, perda do formato anatômico ósseo, além de áreas de osteopenia e osteofitose marginal. Outros exames complementares que podem auxiliar no diagnóstico de podotrocleose são ultrassonografia, termografia, cintilografia e ressonância magnética.

     Para a síndrome do navicular, existem variadas formas de tratamento. Em relação ao alívio paliativo da dor, destaca-se o uso de drogas analgésicas e anti-inflamatórios não-esteroidais. Outra alternativa de tratamento é a utilização de fármacos destinados a melhora do suprimento sanguíneo ósseo, ou ainda, substâncias que modulam o remodelamento ósseo como o ácido tiludrônico.

Imagem radiográfica do osso navicular apresentando osteopenia da região medular e várias áreas radiolucentes, evindenciando descalcificação grave

Fonte: Arquivo Eqquality, 2018

            Associado, ao tratamento medicamentoso o ferrageamento e casqueamento corretivo são de extrema importância para a evolução da terapêutica. O uso de ferraduras ortopédicas, quando corretamente indicadas pelo médico veterinário e bem confeccionadas pelo ferrador, reduzem a pressão sobre o osso navicular e distribuem melhor o impacto sofrido pelo casco.

 

          Ao passo do animal não obter melhoras significativas após as terapias conservativas, lança-se mão de tratamento cirúrgico, afim de minimizar o trauma causado nos tecidos moles adjacentes ao osso navicular. Uma das técnicas citadas na literatura é a desmotomia, que consiste na incisão de três ligamentos responsáveis pela suspensão do osso sesamóide distal no sentido palmar da articulação interfalangiana distal.

 

        A neurectomia digital palmar é outro procedimento cirúrgico que pode ser realizado para aliviar a dor, tendo em vista que a mesma elimina a sensibilidade da região palmar. Em contrapartida, por ser uma técnica que consiste na interrupção definitiva de estímulos nervosos através da remoção cirúrgica do nervo, foi introduzida na medicina equina como tratamento paliativo, pois não trata a doença de base, podendo a mesma se agravar. 

 

        O prognóstico para essa enfermidade é reservado, levando em consideração a sua etiologia, o tempo de evolução anterior ao início do tratamento, e as anormalidades que possam acometer a região afetada. 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GETTY R. Anatomia dos animais domésticos. 5ª ed. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1981.

 

STASHAK T. Claudicação em Equinos. 4ª. Ed. São Paulo: Roca, 1994.

AUTORIA:

Érica Dias Pereira Barboza - Graduanda em Medicina Veterinária - Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

Murillo Martinez Matheus - Mestrando em Cirurgia Veterinária - FMVZ - USP

 

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