A grande maioria dos problemas que acometem os animais durante as romarias e cavalgadas, como cólicas, ferimentos, claudicações (manqueira), animais travados (rabdomiólise) e aguamento (laminite) pode ser evitado com algumas medidas preventivas. Este texto tem o objetivo de pontuar algumas destas medidas para prevenir este tipo de ocorrências.

 

PREPARAÇÃO

      Animais sedentários ou que estão acostumados apenas a passeios curtos necessitam de uma preparação para estarem aptos a realizar longos percursos. Assim como nos humanos o condicionamento físico exige uma carga de exercício físico constante e de aumento gradual. Desta forma quanto pretendemos utilizar nosso cavalo para uma romaria, precisamos aumentar a frequência e a intensidade de sua utilização nas semanas que antecedem o evento.

     

       O aumento na carga de trabalho também ajuda a evidenciar com antecedência possíveis problemas no aparelho locomotor que desta forma podem ser diagnosticados e tratados previamente permitindo sua utilização durante a romaria. Quando trabalhamos somente nos últimos dias que antecedem o passeio, não há tempo hábil para sua completa recuperação, pondo em risco sua utilização na romaria.

     

      Ainda com relação a preparação dos animais, é importante realizar o casqueamento e ferrageamento por volta de sete a 10 dias antes da romaria. Cada troca de ferradura é como se fosse a estreia de um sapato novo e o cavalo precisa de alguns dias para se adaptar além disso, por melhor e mais experiente que seja o ferrador, sempre existe o risco da colocação errada de algum cravo (“pegando no vivo”), e realizando o ferrageamento com antecedência há tempo de corrigir o problema a tempo de utilizar o animal na romaria. Por outro lado, o uso de ferraduras próximas do vencimento (30 dias após o ferrageamento) aumenta o risco de desgaste excessivo, frouxidão dos cravos e perda da ferradura durante o percurso, o que comprometerá sua continuidade. 

ALIMENTAÇÃO

         Devido a um processo fisiológico do cavalo, durante o exercício físico, o funcionamento do aparelho digestório reduz sua velocidade consideravelmente. A ração é um alimento com capacidade de fermentação muito alta, por sua composição química. A associação da fermentação excessiva com a diminuição do funcionamento intestinal pode ocasionar cólicas. Por este motivo não é recomendado o fornecimento de ração durante o percurso. A ração pode ser fornecida até duas horas antes o início da atividade física e a partir de duas horas após seu término. Desta forma quando o exercício inicia a fase mais crítica da digestão já terminou, ou o funcionamento do intestino já voltou ao normal.

           

       Por outro lado, paradas durante o percurso para alimentação com capim ou feno são altamente indicadas pois, além de estimular o funcionamento intestinal, evita períodos de jejum prolongado que são extremamente prejudiciais ao cavalo.

           

       O consumo de água durante o percurso é obrigatório, tanto para evitar a desidratação quanto para repor os eletrólitos (sais minerais) perdidos pelo suor. Para os cavalos que não consomem água durante as paradas existem produtos comerciais que aumentam a sede e auxiliam na reposição de eletrólitos.

 

DESCANSO NO POUSO

       Infelizmente na maioria dos casos, o local onde os romeiros passam a noite não conta com infraestrutura adequada para manter todos os animais participantes em baias ou piquetes. O que se indica nestas situações é a delimitação de piquetes improvisados, utilizando madeiras e cordas, onde os animais possam ser soltos. Também é de extrema importância para o descanso satisfatório dos animais que sejam retirada toda a tralha (sela, manta, cabeçada, embocadura, etc).

           

        Outro cuidado importante é manter afastados animais que possam brigar durante a noite, evitando assim lesões traumáticas.

 

EMBARQUE E DESEMBARQUE DE ANIMAIS

       É bastante comum que os romeiros troquem de animal durante o percurso e estes animais que não serão mais utilizados sejam embarcados em caminhões. Deve-se novamente presar pela segurança dos animais e evitar o transporte por meios inadequados ou em caminhões superlotados, o que gera um grande estresse e pode provocar lesões por trauma.

O próprio momento do embarque e desembarque pode ser uma experiência bastante traumática para animais que não estão habituados a serem transportados. A condição ideal seria realizar um treinamento prévio para condicionar estes animais a embarcar e desembarcar com facilidade, quando isto não é possível é preciso ter tranquilidade e paciência para conduzir a situação de maneira segura para todos, evitando o uso da violência. 

 

DEMAIS ORIENTAÇÕES

        A condução em alta velocidade, principalmente das charretes, nos trechos de asfalto deve ser evitada. Eventos como romarias e cavalgadas envolvem um grande número de cavalos e pessoas, e assim sendo qualquer acidente pode tomar grandes proporções. A aderência das ferraduras ao piso de asfalto é mínima e a alta velocidade aumenta muito o risco de escorregões e quedas pondo em risco o animal e o condutor.

          

     Ainda falando sobre os trechos de asfalto, outro cuidado importante é evitar que os animais pisem sobre a faixa branca. A tinta destas faixas é altamente escorregadia, especialmente quando molhadas, o que também pode provocar acidentes.

           

      Por último, e não menos importante, deve-se contatar a equipe veterinária que acompanha o evento ao perceber qualquer alteração em seu animal. A intervenção precoce para qualquer problema reduz a chance do seu agravamento e aumenta a chance de melhora, permitindo que o animal prossiga viagem.   

RECOMENDAÇÕES PARA ROMEIROS

 

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