TÉTANO

INTRODUÇÃO

          O tétano, também conhecido como trismo, é uma doença extremamente grave do sistema nervoso central (WOOD, 2014) não contagiosa aguda causada por Clostridium tetani (GRAČNER et al., 2015), uma bactéria anaeróbia Gram-positiva. Este agente neurotóxico é um habitante do solo e pode ser encontrado nas fezes de cavalos. O tétano equino está intimamente associado com altas temperaturas, umidade e solo de pH neutro, sendo estas, condições favoráveis à proliferação do agente, o que aumenta a prevalência da doença em países tropicais (RIBEIRO et al., 2018).
          Cavalos de todas as idades podem ser afetados (WRIGHT e KENNEY, 2004), sendo os mais suscetíveis de todos os animais domésticos. A doença é fatal para mais de 80% dos cavalos afetados devido a seus esporos permanecerem no solo por longos períodos, dando-lhes uma grande chance de encontrar o caminho para o corpo através de feridas (EL-HELW et al., 2010).
        O tétano também pode afetar seres humanos, porém, a doença não é contagiosa entre cavalos ou entre cavalos e humanos (WRIGHT e KENNEY, 2004).

TRANSMISSÃO

         A bactéria é anaeróbia, o que significa que ela se multiplica em áreas onde o oxigênio não está presente (GRAČNER et al., 2015) e como os esporos de C. tetani estão comumente presentes no solo, podem adentrar em feridas (WRIGHT e KENNEY, 2004) contaminadas com sujeira, sendo locais ideais para o tétano se instalar, perfurações do casco (GRAČNER et al., 2015), lacerações abertas, incisões cirúrgicas e umbigo de potros (WRIGHT e KENNEY, 2004).

ETIOLOGIA

          A doença é causada por toxinas liberadas pela bactéria Clostridium tetani. Esta bactéria é normalmente encontrada no trato intestinal de cavalos e é passada nas fezes. Os esporos estão sempre presentes no solo em qualquer instalação de cavalos.
         As bactérias multiplicam-se apenas nos locais onde há um suprimento de sangue pobre em oxigênio, como em feridas profundas. (NARANJO e ROJAS, 2014)
       A maioria dos doentes (mais de 95%) que desenvolvem o tétano não são previamente imunizados. No entanto, o tétano pode ser mortal mesmo com imunização e tratamento apropriados. (NARANJO e ROJAS, 2014)

PATOGENIA

        Os esporos podem permanecer dormentes nos músculos e começar a crescer quando ocorrer algum trauma (WRIGHT e KENNEY, 2004). O período de incubação varia de uma a três semanas, dependendo do material infeccioso introduzido, condição anaeróbia e dos cuidados com a ferida (EL-HELW et al., 2010).
         Tendo acesso ao organismo do animal, a bactéria produz neurotoxinas poderosas, sendo elas a tetanolisina e tetanospasmina, que bloqueiam a neurotransmissão, resultando em contração muscular sem oposição e espasmo (tetania) (WRIGHT e KENNEY, 2004).
      A tetanolisina é uma hemolisina promotora de necrose tecidual local, favorecendo a multiplicação e disseminação do agente, enquanto a tetanospasmina é uma toxina neurogênica, que depois de produzida, difunde-se pela circulação sanguínea até os nervos periféricos e parece agir inibindo a liberação de glicina, neurotransmissor que promove o relaxamento muscular, desse modo, a musculatura permanece contraída, observando-se assim a paralisia espástica (LEIRA et al., 2017).

SINAIS CLÍNICOS

       Na fase inicial da doença, tocando o globo ocular pode ocorrer prolapso da terceira pálpebra, que então retorna lentamente à sua posição natural, enquanto no estágio tardio a protusão da terceira pálpebra pode ser permanente. Sinais de infecção  e espasmos da musculatura das extremidades desenvolvem-se concomitantemente, tornando o movimento do animal difícil ou impossível (GRAČNER et al., 2015).
          As toxinas produzidas são responsáveis pelos sinais clínicos da enfermidade que envolvem a hiperestimulação do sistema nervoso, necrose tecidual, elevação do tônus muscular, protrusão de terceira pálpebra, elevação da cauda (“cauda em bandeira”) e até mesmo opistótono (REZENDE, 2018).
        Outros sinais podem ser: andar rígido, rigidez muscular generalizada principalmente nos músculos de sustentação, o que leva a uma postura típica de “cavalete”, trismo (“mandíbula travada”), hiperestesia (sinais de espasmos musculares podem ser exacerbados por sensibilidade extrema à ruído, luz ou estímulo tátil), disfagia, sialorreia, pneumonia aspirativa, (MERIAL, 2008), olhos bem abertos e orelhas rígidas e morte em 75 a 80% dos casos (WOOD, 2014).
         Em casos mais graves e com diagnóstico mais tardio, podem ocorrem convulsões tetânicas com sudorese e aumento de temperatura, além de outros sinais clínicos que indicam um prognóstico desfavorável. Geralmente o animal vai a óbito por asfixia, decorrente de uma paralisia dos músculos respiratórios (REZENDE, 2018).

DIAGNÓSTICO

         Como não há um teste clínico confiável para diagnosticar a enfermidade, o diagnóstico de rotina do tétano equino é baseado nos sinais clínicos, que por serem muito característicos, permitem um rápido reconhecimento da doença (REZENDE, 2018). A presença de feridas ou história de procedimentos que podem predispor à doença também auxiliam no diagnóstico (RIBEIRO et al., 2018). 

TRATAMENTO

         O tratamento para o tétano tem como finalidade a eliminação da bactéria, neutralização das toxinas e relaxamento muscular para evitar asfixia até que a bactéria seja destruída (REZENDE, 2018).
           O tratamento é principalmente de suporte. O cavalo deve ser mantido em um local escuro e silencioso, com bastante acolchoamento para evitar lesões. Alimentação adequada e ingestão de líquidos devem ser monitorados. Sedativos e relaxantes musculares devem ser administrados juntamente com a antitoxina tetânica (WOOD, 2014) e terapia antimicrobiana (REZENDE, 2018).
          O soro anti-tetânico deve ser administrado por via intramucular visando a neutralização das toxinas circulantes. A via intratecal deve ser utilzada para combater as toxinas já em contato com o sistema nervoso central, tendo em vista que o soro não ultrapassa a barreira hematoencefálica. 

PREVENÇÃO

           O toxóide tetânico está entre os imunógenos profiláticos mais eficazes em uso geral hoje. A vacinação regular de todos os cavalos contra o tétano é absolutamente essencial, além disso, a vacinação é rápida, simples e altamente eficaz, sendo um meio prático de proteção a longo prazo (EL-HELW et al., 2010).
           O toxóide tetânico é administrado em duas doses com quatro a oito semanas de intervalo, seguidas de um reforço a cada ano subsequente. Éguas em gestação devem ser vacinadas quatro a oito semanas antes do parto para garantir a imunidade passiva do potro. O potro pode então receber sua primeira injeção aos 3 meses de idade porque a imunidade materna não interferirá na vacina (WOOD, 2014).
       Se um cavalo não vacinado for ferido, deve receber antitoxina tetânica para proteção imediata. No entanto, essa proteção é de curta duração, então o cavalo deve receber a vacina toxóide e um reforço quatro semanas depois (WOOD, 2014).

REFERÊNCIAS

RIBEIRO, M.G., JÚNIOR, G.M., MEGID, J., FRANCO, M.M.J., GUERRA, S.T., PORTILHO, F.V.R., RODRIGUES, S.A., PAES, A.C.; Tetanus in horses: an overview of 70 cases. Pesq. Vet. Bras. 38(2):285-293, fevereiro, 2018.


GRAČNER, D. BARBIĆ, L., BIJADER, I., ČOLIG, P., GRAČNER, G.G., SELANEC, J., ZOBEL, R., STEVANOVIĆ, V., SAMARDŽIJA, M.; A twenty-year retrospective study of tetanus in horses: 42 cases. Vet. Arhiv. 85 (2), 141-149, 2015.


NARANJO, A.M.A., ROJAS, N.M.; Tetano en un Equino Criollo Colombiano: Reporte de Caso. Corporacion Universitaria Lasallista Facultad de Ciencias Administrativas y Agropecuarias. p. 16-18, Caldas-Antioquia, 2014


LEIRA, M.H., OLIVEIRA, M.P., REGHIM, L.S., PETERS, A.P., ALMEIDA, L.P.S., BRAZ, M.S., FRANZO, V.S.; Tétano em um equino: Relato de caso. PUBVET. v.11, n.1, p.50-54, Jan., 2017.


WOOD, C.; EXTENSION-UNIVERSITY OF KENTUCKY “Tetanus in horses”. 2014. Disponível em: <https://articles.extension.org/pages/11405/tetanus-in-horses>. Acesso em: 28 de Outubro de 2018.


WRIGHT, B., KENNEY, D.; OMAFRA-ONTARIO MINISTRY OF AGRICULTURE, FOOD AND RURAL AFFAIRS “Tetanus in horses”. 2004. Disponível em: <http://www.omafra.gov.on.ca/english/livestock/horses/facts/info_tetanus.htm>. Acesso em: 28 de Outubro de 2018.


EL-HELW. H. A., Fayez, M.M., Osman, R.M.; Preparation of Tetanus Toxoid for Equine. Beni-Suef Veterinary Medical Journal, 6º SCI. CONF. Vol. 20, nº 1, 2010.


MERIAL - AGROLINK “Tétano em Equinos”. 2008. Disponível em: <https://www.agrolink.com.br/vacinas/artigo/tetano-em-equinos_72837.html>. Acesso em: 28 de Outubro de 2018.


REZENDE, E. H. C - J.A SAÚDE ANIMAL “Tétano em Equinos”. 2018. Disponível em: <http://jasaudeanimal.com.br/tetano-em-equinos/>. Acesso em: 28 de Outubro de 2018.

AUTORIA

Heloysa da Silva Chedid - Graduanda em Medicina Veterinária - UNIP - SP

Murillo Martinez Matheus - Mestrando em Cirurgia Veterinária - FMVZ - USP 

 

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